O início da pandemia do novo coronavírus, em março de 2020, trouxe uma série de turbulências econômicas para o país. Muitos segmentos sofreram bastante com a situação, com especial destaque para o setor imobiliário, cujas vendas e novos empreendimentos registraram grandes quedas no período.

A recuperação em V é aquela registrada como uma queda rápida, mas com um retorno rápido à normalidade. Isso é, pelo menos, o que se tem percebido no estado de São Paulo.

De acordo com os dados do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), o mês de julho já atingiu 85% do que era esperado para o mês todo, com dados ainda por computar e pelo menos uma semana inteira de vendas para acontecer. Analistas do mercado financeiro confirmam o ritmo de retomada e já voltam a falar sobre as possibilidades de investir no setor.

Quem concorda com isso são os especialistas do Grupo Localiza, que gerenciam um dos principais empreendimentos em lançamento no momento, o Parque do Sol em Araraquara, interior de São Paulo. De acordo com eles, o movimento parece ter voltado ao segmento, que dá sinais de que terá um segundo semestre muito melhor do que o primeiro.

“Nós vemos a questão como uma situação de fundamentos. Todos os fundamentos para um ano excelente no mercado financeiro estão em campo, com a óbvia exceção do novo coronavírus. Assim, era questão de tempo até que o problema do vírus fosse se resolvendo e o mecanismo do mercado voltasse a girar”, revela o especialista.

Os fundamentos mencionados estão, de fato, em ação no momento. Segundo os especialistas do mercado imobiliário, a situação atual apresenta muitos elementos estimulantes para o investimento nesse mercado.

“A economia apresenta um pacote muito interessante para o consumidor, começando pela taxa de juros no seu patamar mínimo na história, avançando pela demanda reprimida e chegando no retorno do aluguel como uma opção de renda passiva”, explica o especialista do Grupo Localiza.

A taxa de juros em patamar mínimo é resultado dos sucessivos cortes que o Banco Central tem feito na Taxa Selic. Em junho deste ano, o valor da taxa básica de juros chegou a 2,25%. Considerando a projeção atual que o mercado faz da inflação de 2021 (cerca de 3%), há a possibilidade do ano que vem ter uma economia de ganho real negativo com a Selic.

Isso tudo gera uma queda considerável na taxa de juros do financiamento imobiliário, uma vez que a Selic é a base dos outros juros no país.

“Sempre que a taxa de juros cai, o interesse do consumidor no mercado imobiliário aumenta. Primeiro porque deixa de ser interessante investir em Renda Fixa. Segundo porque cada 1% a menos nos juros do financiamento imobiliário é equivalente a 2 milhões de famílias que passam a ter condições de pagar pelo financiamento”, revela o especialista do Grupo Localiza.

Como mencionado, além de tornar os imóveis mais acessíveis, a taxa Selic em queda ainda faz com que o mercado imobiliário fique mais atrativo do que as aplicações de Renda Fixa.

“Um título pós-fixado na Selic ou no CDI pode ter ganho real esse ano de aproximadamente 0,5%, se a inflação projetada para 1,60% se concretizar. É muito pouco para o investidor. No entanto, os imóveis podem ter uma valorização muito maior, especialmente se a demanda continuar em crescimento”, explica o especialista.

De acordo com a análise de vários analistas do mercado financeiro, há uma demanda deprimida causada pela crise dos últimos anos. Segundo os documentos de alguns bancos, os imóveis se desvalorizaram em cerca de 25% nos últimos cinco anos e o movimento atual é de recuperar o tempo perdido, o que dá sinais de alta valorização em breve.

Para completar, investir para ganhar com aluguéis voltou a ser uma prática financeira vantajosa para muitos investidores. Isso também estimula o crescimento do setor.

“Veja, por exemplo, o nosso empreendimento em Araraquara, o Parque do Sol. Com um aluguel de 5% do valor do imóvel, que é a média nacional, o ganho será maior do que o dobro do rendimento da Selic para 2020. Isso sem falar na valorização natural do empreendimento”, projeta o especialista.

Por causa de todos esses fatores, há uma expectativa real de que o movimento de recuperação do mercado imobiliário siga, de fato, o formato em V. Isso traria um aquecimento para a economia e novos empregos para o setor, uma vez que estimularia o lançamento de novos empreendimentos.

“A esperança é alta no momento. O setor da construção civil sempre foi uma pujante fonte de empregos e, se os fundamentos permanecerem os mesmos, poderá passar por uma fase produtiva nos próximos meses”, conclui o especialista do Grupo Localiza.